Você já ouviu falar em Dislexia?

A Dislexia do desenvolvimento é um transtorno do tipo verbal, que envolve símbolos, gráficos e códigos de linguagem fonológica e que possui origem neurobiológica, responsável pela dificuldade no reconhecimento da palavra de maneira fluente e precisa, bem como na decodificação e soletração das palavras.

Segundo a International Dyslexia Association (2002) e a National Institute of Child Health and Human Development – NICHD, essas dificuldades normalmente resultam de um déficit no componente fonológico da linguagem e são inesperadas em relação à idade e outras habilidades cognitivas.

A Dislexia é um transtorno que nasce e cresce com a criança, ou seja, já se apresenta desde tenra idade, levando a problemas de aquisição de pré-requisitos para a alfabetização durante o seu desenvolvimento e que, consequentemente, acarretará futuras dificuldades para o processo de aquisição da aprendizagem, principalmente da leitura, da escrita e às vezes também afeta na fala, resultando na demora na construção de frases, erros frequentes de ortografia e falta de concentração.

Este transtorno não atribui uma forma física diferente a quem possui, logo, não dá para se identificar a partir da observação do comportamento da criança quando em contato com informações ou meios que se utilizam de formas, letras e números. Também não é detectado em exames, não pode ser identificado em imagens cerebrais nem em eletroencefalogramas.

Pessoas com Dislexia, geralmente, são muito criativas e inteligentes, porém, por se tratar de um transtorno de desenvolvimento,resultante de alterações, falhas, disfunções em regiões específicas do cérebro responsáveis pela análise, integração e coordenação de processos que envolvem leitura e escrita, o cérebro do disléxico tem dificuldade em interconectar as áreas funcionais de percepção visual, auditiva e espacial de forma organizada e estruturada.

Como é ler com Dislexia?

Ao ler e escrever, o disléxico tem um processamento mais lento, pouca fluência e memorização, logo não dá para esperar que através da leitura e escrita ele adquira um volume de conhecimento desejado, mesmo porque, as pessoas com Dislexia demoram 4 vezes mais para entender uma frase e esta lentidão prejudica a compreensão e a fluência. A lentidão na leitura acontece porque eles costumam se confundir, durante a percepção dos sons e das formas de letras, o que leva a se atrapalharem no processo de formação das palavras.

A Dislexia também pode ser classificada por grau de intensidade leve, moderado ou severo. Porém, a não ser que você sofra dessa condição, provavelmente é difícil imaginar como é ter dislexia e ver o mundo como um disléxico vê.

 

Por esse motivo, Victor Widell desenvolveu um site que simula como um disléxico vê as palavras, para ajudar pessoas que não possuem este transtorno a entenderem como a dislexia afeta a leitura que quem possui esta condição. Clique aqui para ver o site simulador criado por Windell.

A Associação Brasileira de Dislexia – ABD, iniciou uma avaliação multi e interdisciplinar, de 2013 a 2016, afim de obter dados estatísticos sobre a quantidade de crianças com dislexia em nosso país. Embora não seja uma pesquisa atual, os dados chamam muito a atenção e você pode conferir clicando aqui.

Por se tratar de um assunto extenso, irei abordá-lo em outros artigos aqui no blog, mas encerro este pedindo encarecidamente que, ao perceber que uma pessoa possui dificuldade de aprendizagem e que não consegue ler ou escrever com fluidez, por favor, não a diminua por não ser como você! Tenha paciência e empatia. Se imagine no lugar desta pessoa e entenda que você também não gostaria de ser maltratado por não ser como os outros… afinal, o disléxico não tem culpa por não ler, escrever e falar como as pessoas que não têm dislexia.

E não, dislexia não é sinônimo de “burrice”. Muito pelo contrário! Pessoas com dislexia são super inteligentes e criativas. No entanto, a forma que essas pessoas aprendem e lidam com este “mundo feito de letras” é muito diferente da forma como a maior parte da população lida.

Em breve, trarei mais artigos abordando este assunto. Por isso, se nossas publicações te interessam, não deixe de nos seguir por e-mail e compartilhar com seus amigos!

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10 thoughts on “O que é Dislexia?”

  1. Olá!

    Eu tenho um primo disléxio. No começo, quando foi diagnosticado, senti muito do nervoso dele, mas hoje com os cuidados necessários, ele está indo muito bem e realmente está longe de ser sinônimo de burrice.
    Gostei do post, bastante esclarecedor.

    bjs

  2. Entre os disléxicos famosos estão o ator Tom Cruise e o gênio Albert Einstein. Podemos notar que dislexia não é sinônimo de burrice, claro que não! Com carinho e atenção os portadores desse distúrbio podem levar uma vida normal e ter sucesso em seu aprendizado, os exemplos estão aí pra nos provar que é possível 🙂

  3. Buongiorno Isa,

    Dislexia é um assunto sério, já conheci algumas pessoas que enfrentaram muitas dificuldades no colégio por causa desse problema e foram apenas taxados como burros. Meu primo sofreu bastante com esse problema. Me lembro que ele chorava por não conseguir ler um livro infantil e ninguém o ajudava.
    Eram outros tempos, década de 80, espero que hoje o sofrimento seja menor.
    E que horrível essa dança de palavras diante dos olhos. Eu consegui ler o texto, muito mais por intuição que por leitura.

    bacio

  4. Já ouvi muito falar de dislexia mas admito não saber exatamente do que se trata. Lembro de quando era adolescente ter lido que o Tom Cruise era disléxico e ele dizia ter grandes dificuldades para ler e decorar os textos dos filmes. Eu fiquei impressionada com o site simulando a sensação de quem tem dislexia, é absurdamente difícil ler um texto dessa forma. Fico feliz que hoje em dia se fala mais sobre o assunto, pois assim mais e mais crianças serem ajudadas com esse problema, ao invés de serem simplesmente taxadas de “burras”

  5. Realmente, ter dislexia não deve ser nada fácil, mas espero que os tratamentos atuais para esse transtorno sejam bastante eficazes e reversíveis. Não conheço pessoas dislexas, ao menos não que eu saiba; mal posso esperar por maiores informações como “de que forma identifico se meu aluno é dislexo”, “se há cura ou não” e muito mais.

  6. No ensino fundamental tive um colega que tinha dislexia, na época ninguém conhecia o que ele tinha, chamavam ele de burro e com isso dificultava mais ainda o aprendizado dele. Infelizmente ele não chegou a completar o ensino médio. Gostei muito do teu post. Beijo

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